AMAZONIA:
CURIOSIDADES
O
Veneno dos índios Monhongons
O rio Branco é formado pelos
rios Tacutu e Uraricoera. Este, por sua vez, depois de receber as águas do
Parime e do Amajari, pela margem esquerda, bifurca-se formando os Paranás de
Santa Rosa e Maracá. Nesse trajeto, abraça uma porção de terra (ilha), de mais
de cinquenta quilômetros de extensão. Deixando esta ilha o Uraricoera retoma o
nome e segue seu curso até as nascentes, após acolher na parte norte e já para
deixar a ilha, o rio Uraricaápará, seu afluente da margem esquerda. Nessa
grande ilha que ficou sendo conhecida por ilha do Maracá, habitaram, há menos
de uma centena de anos passados, os índios Monhongons,
mencionados por J. Barbosa Rodrigues, em sua obra “O MUIRAQUITÁ” .
Primitivamente, a região
nomeada pela designação de Rio Branco, foi povoada por inúmeras tribos, sendo
as mais notáveis, além daquela, as dos Athoraius, Uapichanas, Uaiumarás,
Jaricunas, Iporocotós, Macuxis e outros.
Belicosos, cada tribo dispunha dos próprios meios de defesa e ataque ao
inimigo, como também de recursos para abater a caça ou o pescado.
Usavam arco e flechas, de
tacapes, de pedras de arremesso e de fortes cacêtes. Entretanto, os Monhongons eram possuidores do segredo
da preparação de violentos venenos, o Urari e o Uaruá, tinham sobre os seus
contendores a vantagem de poder ferí-los mortalmente, mesmo à distância. Essas
duas espécies de venenos, que têm a propriedade de atacar a rede nervosa do
organismo, ficaram sendo conhecidas por uma única denominação: - CURARE – que
lhes servia para mezinhas, arma de
ataque como também para uso nas caçadas, de vez que o efeito venenosos
inoculado no animal desaparece depois de curada a caça, para o que os índios se
servem de uma espécie de alga chamada ORINDUEI, da qual extraem o suco que
empregam como contraveneno.
No ser humano, entre os
civilizados, o antídoto é o sal de cozinha, falhando algumas vezes quando não
se faz a sua aplicação com a devida urgência.
O Curare, de efeito rápido, é tratado após a sua extração de
determinadas espécies vegetais, em panelas de barro, e logo pronto,
acondicionado em pequenas cabaças, baldes, cuiupis ou uai na língua Macuxi. Nessas diminutas vasilhas endurece e torna-se
compacto, aderindo tão fortemente que não é fácil desprega-lo. Quando os
Monhongons queriam dele se utilizar, umedeciam-no levemente e esfregavam,
também levemente, a pontinha da flecha, que ficava impregnada do precioso
veneno.
Os Monhongons, em vez de lançarem o veneno a pequena distancia,
como as serpentes, o faziam chegar a muitos metros, com a certeza de não
errarem o alvo. Como a peçonha dos ofídios, o Curare era igualmente empregado para fins terapêuticos. A sua
aplicação em dose reduzida era um poderoso calmante da dor e como tal era
empregado pelos Monhongons,
na cura de dores de dentes e oculares, e de outras moléstias que requeriam
imediata cessação.
Para usá-lo como arma de
combate ou em caçadas, os índios
serviam-se de uma taboca ou cana, de mais ou menos dois metros de
comprimento, perfeitamente nivelada, dentro da qual introduziam uma pequena
flecha que tinha na extremidade um pedaço de lã de algodão ou penas de
pássaros, apelidada por eles de zarabatana.
O índio soprava na entrada da
taboca, impulsionando a flecha com tanta velocidade que dentro de segundos, o
animal de caça ou o homem, atingido pela flecha caia ao solo.
Combatidos tenazmente por
varias tribos que não conheciam o segredo da preparação do Curare, mas sofriam
com os efeitos do veneno, os Monhongons
foram tão perseguidos que tiveram de abandonar seus aldeamentos na ilha do
Maracá, refugiando-se no rio Auini, afluente do Parágua, na Venezuela, mas o
rio onde por muitos anos residiram ficou conhecido como rio URARICÓERA, ou rio
do veneno.
Notas:
1. Todos
os antigos tratados de medicina, segundo a opinião de Anton Zischka, citado
também por Tasso vieira, na mesma obra, “recomendam por exemplo, a pele de
serpente como remédio contra reumatismo, e cabeças de cobras, reduzidas a pó
fino, como sedativo para muitas dores.
Durante muito tempo a
ciência qualificou estas prescrições de superstições absurdas. Mas, em 1929,
quando em Cuba, um leproso foi picado por uma serpente das mais venenosas, começou-se
a aprofundar as velhas receitas e, desde então, cura-se com veneno de cobra”.
“Este leproso sofrera dores atrozes; chegara ao último período da moléstia e
não passava de uma mísera massa de carne em decomposição.
Mal a cobra o mordeu
cessaram as dores.
Informado do fato, um médico
de Nova Iorque, o Doutor Monaclesser, iniciou as experiências. O Professor
Calmete, do Instituto Pasteur, deu-lhe o seu apoio, e em consequência,
estudou-se rigorosamente o efeito sedativo do veneno das cobras”.
2.- TACUTU =
abreviatura de ITACUTU, que significa: - Itá = pedra; Catu = bonita
URARICOERA
ou URARICUERA: - Urare = Veneno; Coera = velho, extinto
Nenhum comentário:
Postar um comentário