quarta-feira, 26 de setembro de 2018

Mudança de ciclo e improvisação


Amazônia: Ciclos Econômicos


Mudança de ciclo e improvisação

Uma luta íntima trava-se na alma do caboclo, ante o terrível dilema: seu dever de marido exige que ele não se afaste da cabeceira da esposa, cujo estado se agrava pelo prolongado sofrimento; por outro lado, seria desumano não correr em auxílio do filho, àquela hora, talvez, em grande perigo, arriscando a vida para zelar o nome do pei, preso ao compromisso do contrato.
Zé Ricardo não hesita. Entra no quarto, aproxima-se da cama e diz, à meia voz:
- Zabel tenho muita pena de deixa você, agora, nesse estado. Mas não posso perde essa chuva. O igarapé deve está de repiquete e a madeira boiando. Preciso ir ajuda o Pedro. Sozinho, o menino não dá conta do serviço. Entre gemidos, a mulher responde:
- Sim Ricardo. Estava me lembrando disso. Tenho medo que aconteça algum mal ao meu filho. Vai com Deus!

Zé Ricardo faz algumas recomendações à parteira. Em seguida, vai à cozinha, enche a poronga(*) de querosene e o rifle de bala, arregaça as calças e sai.

Fora, a escuridão é completa. A chuva continua torrencial. Do terreiro alagado, o aguaceiro despenha-se, roncando nas grotas, e vai avolumar, lá em baixo, a caudal do repiquete. Qual ininterrupta fuzilaria, os trovões ribombam, e a luz dos relâmpagos clareia a mata, pondo revérberos azulados na estria d’água dos caminhos.
Indiferente a tudo, com o pensamento no filho   e na madeira, Zé Ricardo segue apressadamente, marginando o barranco do igarapé.
E, tropeça aqui, numa raiz submersa, escorrega ali, numa pôça do caminho, lá vai ele: chasp, chasp, chasp e chasp, - ritimando a marcha com o roçar das calças encharcadas de lama.
Após duas horas de caminhada, quase chegando ao taperi, ouve pancadas de machado. De mistura com o ruído da chuva na folhagem, as machadadas lhe chegam nitidamente aos ouvidos.

Quem estaria rachando lenha, àquela hora da noite, debaixo de tamanho temporal¿ Impelido pela curiosidade, Zé Ricardo não anda, corre. Entra no taperi. Está vazio. Apenas a rede de Pedro e seu mosquiteiro, oscilando ao vento. E as machadadas continuam fortes, para o lado do igarapé. Atormentado por terrível pressentimento, Zé Ricardo corre naquela direção. De cima do barranco avista, lá embaixo, a luzinha de um farol e o vulto esguio do filho seminu sobre enorme tronco que atravessa o igarapé e que ele luta por cortar, a golpes de machado.
- Que foi isso menino¿ - grita Zé Ricardo.
Reconhecendo a voz do pai, Pedro responde lá de baixo:
- Uma bruta samaumeira que o vento derribou, fechando o igarapé.
Zé Ricardo não se enganara em seu pressentimento.
- Já vou lá! – diz para o filho. Volta ao taperi, traz outro machado e desce o barranco. Só então pode avaliar as proporções do desastre. Com as raízes em uma das margens e os galhos esbagaçando a canarana da margem oposta, a gigantesca samaumeira obliquoamente sobre o igarapé. A calcular pela parte que emerge, o tronco deve medir dois metros de diâmetro. Próximo dalí, detidos pelo obstáculo daquela barreira, os vinte toros flutuam, cercados de detritos e garranchos que a enxurrada vai trazendo.
Não há tempo a perder. A chuva já diminuira de intensidade. Por baixo da samaumeira, a água escoa rapidamente. Urge desimpedir a passagem, antes que a vazante impossibilite a passagem dos toros. Perdida aquela oportunidade, não restará mais esperança...

O inverno está no fim. Ficando no leito do igarapé, exposta ao sol durante o verão, a madeira resseca e se desvaloriza na safra do ano seguinte. Zé Ricardo tira a blusa e empunha o machado, disposto a salvar o produto do seu trabalho, que a natureza se obstina em lhe querer roubar. Durante mais de duas horas, pai e filho lutam como dois titâs. Em golpes certeiros, os machados sobem e descem, alternadamente, ferindo o grosso tronco, donde arrancam lascas que a correnteza leva. De quando em vez, param para descansar um pouco e amolar os ferros. Por volta de meia noite, apenas metade do tronco está cortado. E a vazante já é bem sensível.

Zé Ricardo começa a desanimar. Examina mais detidamente a posição da árvore. Está firme em ambas as margens. O nível dágua, descendo sempre, apenas molha a face interior. Mergulhar os toros por baixo da árvore, é impossível. Há porém, ao lado do barranco, oculto pela folhagem, um intervalo maior, formado pela bifurcação de um galho que se ergue em arco. Não é muito larga esta abertura, mas com algum esforço, talvez dê passagem aos toros.

Resolvem experimentar. Afinal, tudo se resume em vencer a força da correnteza e guiar cada toro para passar entre o galho e o barranco.
Cortados os ramos e parasitas que vedavam a abertura, amarram o primeiro toro à extremidade de forte cabo e puxam com força, de cima do barranco. Assim impelido, em direção à margem, o toro passou rente ao barranco e transpôs a apertada garganta. Graças àquele processo, o trabalho marcha com relativa rapidez. Nove toros já passaram e deslizam, igarapé abaixo.
- Peça bonita! – elogia ele – Aguano de respeito! Aquilo tem de ser classificado em primeira. E não dou por menos dum conto de reis!
Amarram o toro e puxam , de cima do barranco. Desta vez, porém, o trabalho se complica. A cada esforço renovado, os bíceps entumescem, o cabo retesa, mas não cede uma polegada. O enorme toro pesa muito; aos puxões, foi se metendo entre os outros e está preso.

Esgotada a paciência, Pedro resolve ir lá.

- Aguenta o cabo aí pai! – diz ele. E, rápido, girando o corpo em interessante cambalhota pula nágua e atravessa o igarapé. Em seguida, trepado sobre o grande toro, à guisa de canoa, consegue, aos poucos, ir afastando os outros, que lhe impedem a passagem.
De cima do barranco, Zé Ricardo se esforça por acompanhar os movimentos do filho. Na escuridão da noite, apenas distingue seu vulto, de pé, em cima do toro, que deslisa lentamente.

Em dado momento, no meio do igarapé, a correnteza atinge o toro em cheio. Num supremo esforço para detê-lo, Zé Ricardo vai arrastado até a borda do barranco. Não pôde mais. O cabo escapou-lhe das mãos, e o toro livre de obstáculos, arremessa-se vertiginosamente em direção à sumaumeira. Vendo o perigo, Pedro tenta pular, mas escorrega na casca limosa e vai arrastado pelo turbilhão. Zé Ricardo ouviu apenas um grito e a pancada do toro de encontro à árvore. Com o choque, o farol virou. A luz bruxoleou um instante e tudo ficou em completa escuridão.

Desorientado, sem enxergar nada, chama pelo filho, repetidas vezes. Nenhuma resposta. Rápido, o caboclo risca o fósforo e acende o farol.
Ao lado da samaumeira, o enorme toro flutua. Do menino, nem sinal. Naquele trecho, o igarapé tem umas cinco braças de profundidade. Mas Zé Ricardo é mergulhador afamado. Nas pescarias, está acostumado a ir desenganchar a tarrafa presa, presa às tronqueiras, no fundo do lago infestado de cobras e jacarés. Para salvar o filho, desceria ao fundo do inferno, se preciso fosse. Não hesita. De cabeça para baixo, atira-se à água e desaparece.

Duas vezes volta à tona. Respira e torna a mergulhar. Afinal, emerge resfolegando fortemente. Nadando com um braço, traz no outro o corpo inerte do filho. Deita-o sobre a relva do barranco e só então verifica seu deplorável estado.

Ao escorregar, o infeliz rapazinho fora arrastado pela violência da correnteza e horrivelmente imprensado entre o pesado toro e a samaumeira. Várias costelas estão fraturadas, e o externo, afundado pela forte compressão, realça o volume do ventre cheio d’água. No auge da aflição, Zé Ricardo não sabe o que fazer. Chama pelo filho, levanta-lhe os braços, arreia a cabeça. Com esses movimentos, o menino começa a vomitar a água que engoliu na prolongada imersão. Aliviado o ventre, entreabriu os olhos.
Zé Ricardo enche-se de esperança. Coloca o farol bem perto de seu rosto e chama-o mais alto:
- Pedro! Pedro!...meu filho. O doente parece ouvir. Solta um gemido abafado e os lábios se movem, num grande esforço para falar. Debruçando-se sobre ele, com o ouvido colado à sua boca. Zé Ricardo ouve apenas as seguintes palavras, quase imperceptíveis:
- Pai...água...foi...foi...embora...ain...ainda...falta...passar...onze...to...

Não pôde dizer mais nada. Da boca entreaberta, um filete de sangue escorreu sobre a palidez do rosto. Abriu os olhos e fitou o pai, demoradamente, um olhar expressivo, misto de ternura e saudade.
Está morto. Transido de dor, Zé Ricardo abraça-se ao cadáver do filho. Durante minutos, seus soluços ecoam no silêncio da noite.

A barraca mais próxima distava dali uma hora de viagem. Zé Ricardo lembrou-se de ir lá, pedir ao seringueiro que o ajude a cavar a sepultura. Receia, porém, que em sua ausência, alguma onça devore o corpo de seu filho. Resolve leva-lo para casa. Dar-lhe-á mais condigna sepultura no pequeno jardim que a sua mulher cultiva, ao lado da cozinha. Vai ao taperi, envolve o cadáver no mosquiteiro e, sobraçando tão precioso fardo, ruma para casa.

Da tempestade resta ainda um chuvisco persistente, engrossando aqui e ali, pelos borrifos das árvores, agitadas pelo vento. Completamente molhado, a roupa colada ao corpo, Zé Ricardo caminha sem parar, indiferente a tudo.Quem o visse tão apressado, àquela hora da noite, conduzindo um volume que ele aperta avaramente contra o peito, toma-lo-ía por um malfeitor, um ladrão que fugia pela mata, levando o produto do roubo.

Pelo caminho, o pobre caboclo pensa em sua infelicidade, sem compreender porque motivo Deus o castiga tão impiedosamente. Sempre procedeu bem. É justo e honesto. Vive de seu trabalho. Nunca fez mal, nunca prejudicou ninguém. Por que, então a justiça divina lhe arrebata seu querido filho, seu amiguinho, seu braço-direito¿ ... Por que¿

Depois lembra-se da mulher. Como estará ela¿ Coitada! Como vai sentir a morte do filho!...E começa a imaginar uma desculpa para ocultar-lhe a grande desgraça, até o fim do resguardo.
Já os primeiros alvores avermelham o nascente, quando Zé Ricardo chega ao aceiro do roçado e avista sua barraca. Contornando-a por trás da cozinha, pisa cautelosamente e vai esconder o corpo do filho no taperi do defumador. Em seguida, aproxima-se da escada e para, com o pé no primeiro degrau, sem ânimo de subir.

É preciso ver a mulher, é preciso mentir e ele não tem  coragem, porque nunca mentiu. Não é uma simples mentira passageira. Durante dias terá que sofrer em silêncio; terá que carpir, sozinho, a saudade do filho; mentir, fingindo-se alegre, para que a esposa de nada suspeite....

Debruçado ao corrimão da escada, Zé Ricardo sofre horrivelmente. Um choro de recém-nascido chama-o à realidade. Ergue a cabeça. Não se contém. De um pulo galga o soalho da barraca e entra no quarto. Com a admirável dedicação que só as mães sabem ter, Isabel, mal avista o marido, pergunta pelo filho.

Zé Ricaro titubeia. Afinal, a muito custo, a mentira sai: resolvera mandar o Pedro, em um dos rebocadores, até a foz do Tarauacá, afim de assistir a medição da madeira. A embarcação estava de saída e o menino não teve tempo de vir em casa, despedir-se. Foi a melhor desculpa que pôde arranjar para justificar a ausência do filho. Passada a fase do resguardo, a mãe saberá toda a verdade.

- E a madeira do igarapé, saiu toda? Pergunta Isabel.

- Toda – responde laconicamente Zé Ricardo. E, para mudar de assunto:
- Onde está o nenê?
- É home! – informa a velha parteira, aproximando-se com um pequeno volume de panos e cueiros, onde se destaca o rostinho rosado de uma criança. Zé Ricardo toma o filhinho nos braços e aperta-o carinhosamente contra o peito, exclamando:
- Vai se chamar Pedro!
- Pedro?... – estranha Isabel.
- Prá quê dois Pedros em casa?
Visivelmente perturbado, Zé Ricardo apressa-se em improvisar uma explicação:
- Sim, mas o outro...é Pedro. Este será Pedrinho...p’rá diferençá. E baixa a cabeça, para que a mulher não veja duas grossas lágrimas que lhe rolam pela face.

Amanhece. A chuva passou de todo. Para o lado do poente, trovões longínquos ainda denunciam restos da borrasca, que se afasta. Algumas praias abaixo da pequena barraca, nove toros de águano chegam, vagarosamente, à foz do igarapé. Nos dorsos cilíndricos, rebrilhantes aos primeiros raios de sol, duas iniciais, gravadas a machado: J.R.

Devagar, um após o outro, os toros desembocam no igarapé, fazem algumas voltas na água barrenta do remanso e prosseguem, sem destino, rio abaixo...


Notas:

1 – Em “As riquezas da Bruzundanga” Lima Barreto já relatava em 1919, o fim do ciclo da borracha dessa forma...

A riqueza mais engraçada da Bruzundanga é a borracha. De fato, a árvore da borracha é nativa e abundante no país. Ela cresce em terras que, se não são alagadiças, são doentias e infestadas de febres e outras endemias. A extração do látex é uma verdadeira batalha em que são ceifadas inúmeras vidas. É cara, portanto. Os ingleses levaram sementes e plantaram a árvore da borracha nas suas colônias, em melhores condições que as espontâneas da Bruzundanga. Pacientemente, esperaram que as árvores crescessem; enquanto isto, os estadistas da Bruzundanga taxavam a mais não poder o produto.

Durante anos, essa taxa fez a delícia da província dos Rios. Palácios foram construídos, teatros, hipódromos, etc.
Das margens do seu rio principal, surgiram cidades maravilhosas e os seus magnatas faziam viagens à Europa em iates ricos. As cocottes caras infestavam as ruas da cidade. O Eldorado...

Veio, porém, a borracha dos ingleses e tudo foi por água abaixo, porque o preço de venda da da Bruzundanga mal dava para pagar os impostos. A riqueza fez‑se pobreza...A província deixou de pagar as dívidas e houve desembargadores dela a mendigar pelas ruas, por não receberem os vencimentos desde mais de dous anos. Eis como são as riquezas do país da Bruzundanga.


Recortes do Quinze de Raquel de Queiroz...


Encostado a uma jurema seca, defronte ao juazeiro que a foice dos cabras ia pouco a pouco mutilando, Vicente dirigia a distribuição de rama verde ao gado. Reses
magras, com grandes ossos agudos furando o couro das ancas, devoravam confiadamente os rebentões
que a ponta dos terçados espalhava pelo chão.
Era raro e alarmante, em março, ainda se tratar de gado. Vicente pensava sombriamente no que seria de tanta rês, se de fato não viesse o inverno. A rama já não dava nem para um mês.

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Imaginara retirar uma porção de gado para a serra. Mas, sabia lá? Na serra, também, o recurso falta... Também o pasto seca... Também a água dos riachos afina, afina,
até se transformar num fio gotejante e transparente. Além disso, a viagem sem pasto, sem bebida certa, havia de ser um horror, morreria tudo.
Uma vaca que se afastava chamou a atenção do rapaz, que deu um grito:

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Agora, ao Chico Bento, como único recurso, só restava arribar. Sem legume, sem serviço, sem meios de nenhuma espécie, não havia de ficar morrendo de fome, enquanto a seca durasse. Depois, o mundo é grande e no Amazonas sempre há borracha...
Alta noite, na camarinha fechada que uma lamparina moribunda alumiava mal, combinou com a mulher o plano de partida. Ela ouvia chorando, enxugando na varanda encarnada da rede, os olhos cegos de lágrimas.

Chico Bento, na confiança do seu sonho, procurou animá-la, contando-lhe os mil casos de retirantes enriquecidos no Norte. A voz lenta e cansada vibrava, erguia-se, parecia outra, abarcando projetos e ambições. E a
imaginação esperançosa aplanava as estradas difíceis, esquecia saudades, fome e angústias, penetrava na sombra verde do Amazonas, vencia a natureza bruta, dominava as feras e as visagens, fazia dele rico e vencedor.
Cordulína ouvia, e abria o coração àquela esperança; mas correndo os olhos pelas paredes de taipa, pelo canto onde na redinha remendada o filho pequenino dormia, novamente sentiu um aperto de saudade, e lastimou-se:
- Mas, Chico, eu tenho tanta pena da minha barraquinha! Onde é que a gente vai viver, por esse mundão de meu Deus? A voz dolente do vaqueiro novamente se ergueu em consolações e promessas:
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- Em todo pé de pau há um galho mode a gente armar a tipóia... E com umas noites assim limpas até dá vontade de se dormir no tempo... Se chovesse, quer de noite, quer de dia, tinha carecido se ganhar o mundo atrás de um gancho? Cordulina baixava a cabeça. Chico Bento continuou a falar. O animal trocado com Vicente chegava de manhãzinha. Iria nele até o Quixadá, ver se arranjava as passagens de graça que o governo estava dando.
Recebendo o dinheiro do Zacarias da Feira, se desfazendo da burra e matando as criaçõezinhas que restavam, para comerem em caminho, que é que faltava? Nem trem, nem
comida, nem dinheiro...
Cordulina levantou-se para balançar o menino que acordou chorando.
Era madrugada. Passarinhos desafinados, no pé de turco espinhento do terreiro, cantavam espaçadamente. a barra do dia foi avermelhando o céu. Os golinhas continuaram a cantar com mais força.
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A mulher enfiou a saia e o casaco e foi cuidar do café.
Chico Bento ficou só. Tinha-se deixado estar na rede, sentado, as mãos pendentes, descansando os pulsos nos joelhos, o pensamento vagando numa confusa visão de boa
ventura e fortuna. Pouco a pouco, porém, com a luz do dia que entrava pelas frinchas da camarinha, a névoa otimista foi-se adelmo; e do projeto ambicioso só lhe ficou, triste e aguda, a melancolia do desterro próximo.
Sonolenta, ainda, a meninada se levantava, esfregando os olhos, espreguiçando-se em bocejos rasgados, em longas distensões que lhes salientavam o relevo das costelas.

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