Amazônia: Ciclo da Borracha
Lutas,
sonhos e dramas humanos
Por:
Professor Chagas
A
traição contra os Arigós
Hoje venho convidar vocês para refletirmos a respeito
de um assunto da maior gravidade na história do nosso país que tem sido a
migração de nordestinos para a região amazônica movidos pelo desejo de ganhar
muito dinheiro através da exploração dos ciclos econômicos desta região.
Ao
longo de vários anos, a Amazônia tem provocado a cobiça de muita gente e
alimentado os sonhos de riqueza através de seus recursos naturais, como a
borracha, o diamante, o ouro, a cassiterita, a madeira e outros produtos. E os
nordestinos que foram atraídos por essas cobiças foram classificados de Arigós.
O
dicionário classifica como Arigó, uma pessoa que pode ter capacidade
intelectual limitada, as vezes ingênuo, tolo... quase retardado mental. No entendimento popular essa pessoa é um
bocoió, um jacú, um abobado, um zoreia,
um oreia seca, um bocó, um abestado, um bestalhao, um boca aberta, um babão, um
desatinado.
*Já
nos estados
do Amazonas e Pará
o termo Arigó, é designativo dos nordestinos que
migraram para a Amazônia na década de 40, para trabalhar na extração da borracha", ou seja, do
látex das seringueiras para o Brasil fornecer aos Estados Unidos para o fabrico
de artigos como pneus para equipar os veículos que estavam sendo utilizados nas
frentes de batalha da 2ª Guerra Mundial.
Quando falamos sobre o Brasil na
Segunda Guerra Mundial, logo vem à cabeça os ataques a Monte Castelo e Montese
na Itália, ou os ataques dos submarinos alemães a nossa marinha mercante em
nossa costa. Mas o que muitos não sabem, é que aqui em nosso território, de
baixo de nosso nariz, alistaram-se mais de 350 mil brasileiros no esforço de
guerra, os chamados “Soldados da Borracha”.
Naquela época uma leva de nordestinos foi atraída para
a Amazônia, convocados pelo governo federal, para extrair o látex da
seringueira. Aqueles jovens foram submetidos primeiramente a um recrutamento fantasioso
nos seus estados, com promessas de enriquecimento rápido e de apoio às famílias
deixadas no Nordeste. Porém, no lugar de riqueza e apoio, os jovens alistados encontraram
aqui foi trabalho escravo, muita fome,
doenças, miséria e desprezo por parte do próprio governo que os mandou para cá.
Esses homens foram jogados no meio da
floresta amazônica e enfrentaram as condições mais sub-humanas para se manterem
vivos, mas o que os mantinha vivos, era o sonho de retornarem para se juntarem
as suas famílias. Muitos não
conseguiram: foram vencidos pelas doenças tropicais, devorados pelos animais
silvestres como as onças e as cobras e outros assassinados pelos próprios
patrões e ainda aqueles que se suicidaram por desgosto. Muitos
morreram perdidos nas selvas, sem
direção, pois não tinham costume e nem conheciam uma floresta tão brava. Outros
morreram de fome por falta de
alimentação e outros morreram doentes
por falta de medicamentos, alguns de febre amarela desconhecida naquela época,
e paludismo, mais conhecido como sezão.
Outros se foram em naufrágios
navegando em embarcações precárias, a fim de cumprirem suas missões, outros
tombaram em acertos de contas com
patrões cruéis sem coração, que mandavam matar os seringueiros para não pagar o
saldo. Patrões desonestos, que faziam de tudo para não pagar os saldos dos
seringueiros; quando pagavam, mandavam o jagunço esperar na primeira curva do
rio, para matar o seringueiro e trazer o saldo de volta para eles. Quando o
seringueiro não tinha saldo, alguns patrões costumavam tomar a mulher dele (quando
este tinha), e transferi-la como presente para o seringueiro que apresentasse maior
produção, e se o seringueiro reclamasse, ainda pegava uma surra aplicada
pelo jagunço, a mando do patrão.
Notas:
A crônica documental e os testemunhos
dos Arigós* que sobreviveram é cheia de relatos que dão a verdadeira dimensão
dessa monstruosidade que se praticou neste país sob a chancela oficial. Sim,
porque esse trabalho fazia parte de um programa oficial do Governo Federal da
época, sob o comando do Presidente Getúlio Vargas. Portanto, devemos desconfiar
de programa de governo, pois são quase sempre descompromissados.
Fontes: Diversas
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