quarta-feira, 26 de setembro de 2018

A traição contra os Arigós


Amazônia: Ciclo da Borracha
Lutas, sonhos e dramas humanos

Por: Professor Chagas

A traição contra os Arigós

 Hoje venho convidar vocês para refletirmos a respeito de um assunto da maior gravidade na história do nosso país que tem sido a migração de nordestinos para a região amazônica movidos pelo desejo de ganhar muito dinheiro através da exploração dos ciclos econômicos desta região.  

Ao longo de vários anos, a Amazônia tem provocado a cobiça de muita gente e alimentado os sonhos de riqueza através de seus recursos naturais, como a borracha, o diamante, o ouro, a cassiterita, a madeira e outros produtos. E os nordestinos que foram atraídos por essas cobiças foram classificados de Arigós.

O dicionário classifica como Arigó, uma pessoa que pode ter capacidade intelectual limitada, as vezes ingênuo, tolo... quase retardado mental.  No entendimento popular essa pessoa é um bocoió, um jacú, um  abobado, um zoreia, um oreia seca, um bocó, um abestado, um bestalhao, um boca aberta, um babão, um desatinado.
*Já nos estados do Amazonas e Pará o termo Arigó,  é designativo dos nordestinos que migraram para a Amazônia na década de 40, para trabalhar na   extração da borracha", ou seja, do látex das seringueiras para o Brasil fornecer aos Estados Unidos para o fabrico de artigos como pneus para equipar os veículos que estavam sendo utilizados nas frentes de batalha da 2ª Guerra Mundial.

Quando falamos sobre o Brasil na Segunda Guerra Mundial, logo vem à cabeça os ataques a Monte Castelo e Montese na Itália, ou os ataques dos submarinos alemães a nossa marinha mercante em nossa costa. Mas o que muitos não sabem, é que aqui em nosso território, de baixo de nosso nariz, alistaram-se mais de 350 mil brasileiros no esforço de guerra, os chamados “Soldados da Borracha”.
Naquela época uma leva de nordestinos foi atraída para a Amazônia, convocados pelo governo federal, para extrair o látex da seringueira. Aqueles jovens foram submetidos primeiramente a um recrutamento fantasioso nos seus estados, com promessas de enriquecimento rápido e de apoio às famílias deixadas no Nordeste. Porém, no lugar de riqueza e apoio, os jovens alistados encontraram aqui foi trabalho escravo, muita fome, doenças, miséria e desprezo por parte do próprio governo que os mandou para cá.

Esses homens foram jogados no meio da floresta amazônica e enfrentaram as condições mais sub-humanas para se manterem vivos, mas o que os mantinha vivos, era o sonho de retornarem para se juntarem as suas famílias.  Muitos não conseguiram: foram vencidos pelas doenças tropicais, devorados pelos animais silvestres como as onças e as cobras e outros assassinados pelos próprios patrões e ainda aqueles que se suicidaram por desgosto. Muitos morreram perdidos nas selvas, sem direção, pois não tinham costume e nem conheciam uma floresta tão brava. Outros morreram de fome por falta de alimentação e outros morreram doentes por falta de medicamentos, alguns de febre amarela desconhecida naquela época, e paludismo, mais conhecido como sezão.

Outros se foram em naufrágios navegando em embarcações precárias, a fim de cumprirem suas missões, outros tombaram em acertos de contas com patrões cruéis sem coração, que mandavam matar os seringueiros para não pagar o saldo. Patrões desonestos, que faziam de tudo para não pagar os saldos dos seringueiros; quando pagavam, mandavam o jagunço esperar na primeira curva do rio, para matar o seringueiro e trazer o saldo de volta para eles. Quando o seringueiro não tinha saldo, alguns patrões costumavam tomar a mulher dele (quando este tinha), e transferi-la como presente para o seringueiro que apresentasse maior produção, e se o seringueiro reclamasse, ainda pegava uma surra aplicada pelo jagunço, a mando do patrão.

Notas:
A crônica documental e os testemunhos dos Arigós* que sobreviveram é cheia de relatos que dão a verdadeira dimensão dessa monstruosidade que se praticou neste país sob a chancela oficial. Sim, porque esse trabalho fazia parte de um programa oficial do Governo Federal da época, sob o comando do Presidente Getúlio Vargas. Portanto, devemos desconfiar de programa de governo, pois são quase sempre descompromissados.

Fontes: Diversas


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