ELEIÇÕES
NO BRASIL
Por:
Professor Chagas
VINGANÇA DE CANDIDATO
ENGANADO
O
hábito da compra de votos tem muitas facetas. Varia de acordo com a região, com
as posses do comprador e com as escalas de valores dos eleitores
Aconteceu
lá para as bandas do Estado Piaui. A corrida na direção do garimpo de Serra Pelada*
atraiu muitos jovens do Nordeste. Entre os jovens que foram lá e bamburraram, o
Godofredo Pinto, um rapaz bem-apessoado, falante e tido pelas moças da região
como um bom partido. E ao retornar de Serra Pelada, a fama de rapaz rico se
espelhou, aumentando o interesse das moçoilas e dos pais no dito rapaz. Os
caciques locais logo viram no rapaz um bom partido também para a política.
Todos os chefes locais cercaram o Godofredo oferecendo oportunidades de fazer
carreira na política local. Não tardou e o jovem se animou e concordou em
entrar para a vida política, candidatando-se ao cargo de vereador.
Logo
a notícia se espalhou pelas redondezas e os eleitores se animaram com a
novidade: um candidato garimpeiro e cheio do ouro. O comitê do rapaz logo ficou
cheio de cabos eleitorais, sargentos e coronéis. O rapaz foi fechando os
acordos com os cabos eleitorais, mas foi aconselhado pelos coronéis a comprar
alguns votos por medida de segurança, visto que era candidato novato, pouco
testado na política, para que não tivesse surpresa. Acontece que a moeda que o
rapaz carregava era ouro puro, da Serra Pelada.
Logo
deixou espalhar a notícia de que remunerava regiamente quem votasse nele com
ouro em pó. A notícia se espelhou com pólvora. Logo o comitê ficou lotado de
futuros eleitores oferecendo votos, até mesmo os que não tinham.
O
candidato, cercado por seus cabos, sargento e coronéis, ia fazendo a conta dos
votos e à proporção que os ia comprando ia se vangloriando de já estar eleito.
Enquanto isso, o consultório do dentista Sebastião alicate, ficava atufaiado de
gente o dia inteiro. Eram os falsos eleitores, que ao receberem a paga pelo
improvável voto, logo acorriam para mandar derreter o metal amarelo e enrolar
nos poucos cacos de dentes que lhes ainda restava. Tinha sujeito que mandava
fazer uma chapa de apenas dois dentes na frente superior, para enrolar o filete
de ouro. Estava todo mundo feliz: o povo com as bocas cheias de dentes de ouro
e principalmente o candidato na certeza de que já podia se considerar uma
“excelência”. Já fazia até planos para as próximas eleições. Seria deputado, governador
e se talvez casasse mesmo com a filha de um figurão da política lá da capital.
Afinal de contas, ouro não lhe faltava.
Chegou
o dia da eleição e, surpresa: Godofredo Pinto não foi eleito. Faltaram votos.
Ou melhor: os eleitores lhe enganaram.
Furioso,
o rapaz teve uma ideia: tomar de volta de cada sujeitinho e sujeitinha que lhe
enganou, o seu ouro. Aí foi um alvoroço, pois todos tinham colocado o seu ouro
nas diversas bocas. Dizem que quem se deu bem com essa história foi o Sebastião
Alicate, por razões óbvias. Parece que esse foi o primeiro caso de candidato
que se vingou de eleitor infiel.
Notas:
*Serra Pelada é uma região localizada no Estado do
Pará. Na década de 1980, essa área foi invadida por milhares de pessoas em
busca do enriquecimento rápido através do ouro. Em razão da grande concentração
de garimpeiros, a região atraiu também lavradores, médicos, motoristas, padres,
engenheiros, entre outros. Rapidamente a área se tornou no maior garimpo a céu
aberto do mundo. Toneladas de ouro foram retiradas de Serra Pelada, porém, a
maioria dos garimpeiros não conseguiu enriquecer, e o que é pior, muitos
morreram durante o trabalho.
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