HISTORIAS
DA CRONICA POPULAR
Por:
Professor Chagas
TROCANDO O OURO PURO
POR DE TOLO
Essa é a história de um rapaz
que antes de ir para o garimpo pediu a filha de um fazendeiro do Nordeste em
casamento. A mesma faz parte da crônica popular regional muito difundida na
época do garimpo de Serra pelada. Naquela época muitos rapazes foram arriscar a
sorte no garimpo. Alguns retornaram ricos, outros pobres e muitos não
retornaram.
Contava-se naquela época que
lá prás bandas do sul do Piauí dois irmãos gêmeos teriam ido ao garimpo, sendo
que um dos dois teria prometido de voltar para casar-se com uma filha de um abastado
fazendeiro da região.
O rapaz teria prometido ao
futuro sogro que iria tentar a sorte no garimpo e que quando retornasse se
casaria com a moça. Ocorre que esse rapaz foi um dos que morreu no garimpo,
vítima de febre amarela. Quando estava no leito de morte ele teria chamado o
irmão gêmeo e fê-lo prometer que retornaria e se casaria com a sua noiva, para
honrar a palavra que o mesmo tinha dado tanto à moça quanto ao pai da mesma.
Teve o cuidado de acrescentar ao irmão que a moça era a mais bonita do lugar.
Que era uma verdadeira princesa. Lindíssima, formosa, etc.
Ocorreu que o irmão gastou
tanto tempo destacando as qualidades da moça que morreu sem, no entanto, passar
as orientações completas sobre como o outro deveria proceder, pois, dizem as más
línguas que o irmão falecido queria que o outro se passasse por ele já que eram
gêmeos e muito parecidos para a moça não perceber. Mas o irmão vivo não
entendeu dessa forma e meteu os pés pelas mãos. Ficou triste por ter perdido o irmão,
mas por outro lado, ficou empolgado por ter ganhado uma noiva “ muito linda” sem
muito esforço.
Passou então a fazer besteiras:
primeiro mandou informar a noiva do falecido que o irmão tinha passado dessa
para melhor, mas que teria recomendado que ele assumisse o casamento; em
seguida informou para a moça que teria juntado uma boa quantia de ouro e por
último, fez a pior coisa que poderia fazer: escreveu uma carta ao pai da moça
informando-o da morte do irmão e do acordo que os dois teriam feito antes do
outro morrer, e que assumiria o noivado e em seguida ainda informou ao pai da
noiva que já era um homem muito rico, pois tinha tido sorte no garimpo e que
verdadeiramente estava buiado.
A moça ao receber a notícia ficou
chocada com o inusitado e comunicou ao pai que não aceitaria tão estapafúrdia
proposta. Mas o pai, que de besta não tinha nada, convenceu a filha das
vantagens do negócio e armou uma cilada pra cima do garimpeiro bobo. Ao
retornar, o fazendeiro fez uma grande festa para comemorar o noivado da filha e
convidou todo o povo da região.
Nessa ocasião, o esperto
fazendeiro, apresentou o noivo da filha aos convidados e selou o noivado, sem,
no entanto, mostrar a noiva feia para não espantar o rapaz.
O garimpeiro, por sua vez,
ficou muito orgulhoso por estar se casando com a filha do coronel mais rico do
lugar. Mas não sabia ele que o sogro estava armando uma cilada para ele. Antes
de marcar a data do casamento ele chamou o noivo e falou: - muito bem meu
rapaz. Para casar-se com a minha filha você está disposto a honrar os
compromissos que o seu irmão fez comigo?
- Sim senhor, pois eu prometi
para meu irmão que honraria o compromisso dele com o senhor tim, tim, por tim, e
estou pronto para fazê-lo.
- Pois bem. Eu agora vou lhe
falar sobre os termos que foram acertados entre eu e o seu irmão:
- Eu e o seu irmão, que deus
tenha a alma dele em um bom lugar, fizemos um acordo nas seguintes condições
para que eu lhe concedesse a mão de minha filha.
- Ele me passaria todo o ouro
que ganhasse no garimpo assim que retornasse, para que eu lhe desse a mão da minha
filha em casamento.
Espero que você, que é um
homem de palavra, não desonre o nome do
seu irmão. Mesmo porque está se casando com uma moça muito bonita, a mais linda
da região, e ainda por cima, herdeira de uma grande fortuna.
E assim a besta do garimpeiro
passou ao esperto fazendeiro todo o ouro que tinha garimpado e o pai chamou a
moça para apresenta-lo. Nessa hora, este viu que tinha feito um péssimo negócio pois a
moça era de uma feiura medonha. Para completar o prejuízo, ficou sabendo em
seguida que o seu sogro não era rico coisa alguma, pelo contrário, estava era
falido e moça não tinha herança nenhuma. Este caso ficou conhecido na região
como o caso do garimpeiro que trocou ouro puro por “ouro de tolo”.
NOTA:
Ouro de tolo é um mineral chamado pirita,
que parece com o ouro em pepita. Consta que na Califórnia e no Alasca, naquelas
corridas do ouro do século XIX pessoas "semeavam" pirita em um
terreno para vendê-lo a bom preço aos tolos para mineração do ouro que não
existia. Quem comprava, ficava no prejuízo.
Tolo é um adjetivo que se refere àquele
indivíduo que diz ou faz tolice, ou seja, que pratica asneira,
que não tem inteligência ou juízo.
O adjetivo “tolo” é usado também para
expressar que algo ou alguém não apresenta nexo, que é ridículo, infundado,
disparatado, que não tem razão de ser. Exemplos: Discurso tolo, argumento tolo,
frase tola ou obrigação tola. Tolo é ainda aquele que age com ingenuidade, que
é tonto, simplório, que tem comportamento de idiota ou imbecil.
O adjetivo “tolo” tem diversos
sinônimos e muitos deles são gírias da linguagem popular brasileira, usados
muitas vezes como substantivo, de forma depreciativa: apatetado, babaca, bocó, paca, abestado, cabeça de bagre, papa
mosca, mama na égua, mané, leso, abobado, palerma, paspalhão, débil etc.
É considerado "tolo" aquele
indivíduo que expressa vaidade exagerada, que é presunçoso, orgulhoso ou
afetado.
Nenhum comentário:
Postar um comentário