quinta-feira, 27 de setembro de 2018

Trocando ouro puro por ouro de tolo


HISTORIAS DA CRONICA POPULAR
Por: Professor Chagas

TROCANDO O OURO PURO POR DE TOLO

Essa é a história de um rapaz que antes de ir para o garimpo pediu a filha de um fazendeiro do Nordeste em casamento. A mesma faz parte da crônica popular regional muito difundida na época do garimpo de Serra pelada. Naquela época muitos rapazes foram arriscar a sorte no garimpo. Alguns retornaram ricos, outros pobres e muitos não retornaram.

Contava-se naquela época que lá prás bandas do sul do Piauí dois irmãos gêmeos teriam ido ao garimpo, sendo que um dos dois teria prometido de voltar para casar-se com uma filha de um abastado fazendeiro da região.
O rapaz teria prometido ao futuro sogro que iria tentar a sorte no garimpo e que quando retornasse se casaria com a moça. Ocorre que esse rapaz foi um dos que morreu no garimpo, vítima de febre amarela. Quando estava no leito de morte ele teria chamado o irmão gêmeo e fê-lo prometer que retornaria e se casaria com a sua noiva, para honrar a palavra que o mesmo tinha dado tanto à moça quanto ao pai da mesma. Teve o cuidado de acrescentar ao irmão que a moça era a mais bonita do lugar. Que era uma verdadeira princesa. Lindíssima, formosa, etc.

Ocorreu que o irmão gastou tanto tempo destacando as qualidades da moça que morreu sem, no entanto, passar as orientações completas sobre como o outro deveria proceder, pois, dizem as más línguas que o irmão falecido queria que o outro se passasse por ele já que eram gêmeos e muito parecidos para a moça não perceber. Mas o irmão vivo não entendeu dessa forma e meteu os pés pelas mãos. Ficou triste por ter perdido o irmão, mas por outro lado, ficou empolgado por ter ganhado uma noiva “ muito linda” sem muito esforço.

Passou então a fazer besteiras: primeiro mandou informar a noiva do falecido que o irmão tinha passado dessa para melhor, mas que teria recomendado que ele assumisse o casamento; em seguida informou para a moça que teria juntado uma boa quantia de ouro e por último, fez a pior coisa que poderia fazer: escreveu uma carta ao pai da moça informando-o da morte do irmão e do acordo que os dois teriam feito antes do outro morrer, e que assumiria o noivado e em seguida ainda informou ao pai da noiva que já era um homem muito rico, pois tinha tido sorte no garimpo e que verdadeiramente estava buiado.

A moça ao receber a notícia ficou chocada com o inusitado e comunicou ao pai que não aceitaria tão estapafúrdia proposta. Mas o pai, que de besta não tinha nada, convenceu a filha das vantagens do negócio e armou uma cilada pra cima do garimpeiro bobo. Ao retornar, o fazendeiro fez uma grande festa para comemorar o noivado da filha e convidou todo o povo da região.

Nessa ocasião, o esperto fazendeiro, apresentou o noivo da filha aos convidados e selou o noivado, sem, no entanto, mostrar a noiva feia para não espantar o rapaz.
O garimpeiro, por sua vez, ficou muito orgulhoso por estar se casando com a filha do coronel mais rico do lugar. Mas não sabia ele que o sogro estava armando uma cilada para ele. Antes de marcar a data do casamento ele chamou o noivo e falou: - muito bem meu rapaz. Para casar-se com a minha filha você está disposto a honrar os compromissos que o seu irmão fez comigo?

- Sim senhor, pois eu prometi para meu irmão que honraria o compromisso dele com o senhor tim, tim, por tim, e estou pronto para fazê-lo.
- Pois bem. Eu agora vou lhe falar sobre os termos que foram acertados entre eu e o seu irmão:
- Eu e o seu irmão, que deus tenha a alma dele em um bom lugar, fizemos um acordo nas seguintes condições para que eu lhe concedesse a mão de minha filha.
- Ele me passaria todo o ouro que ganhasse no garimpo assim que retornasse, para que eu lhe desse a mão da minha filha em casamento.
Espero que você, que é um homem de palavra, não  desonre o nome do seu irmão. Mesmo porque está se casando com uma moça muito bonita, a mais linda da região, e ainda por cima, herdeira de uma grande fortuna.

E assim a besta do garimpeiro passou ao esperto fazendeiro todo o ouro que tinha garimpado e o pai chamou a moça para apresenta-lo. Nessa hora, este  viu que tinha feito um péssimo negócio pois a moça era de uma feiura medonha. Para completar o prejuízo, ficou sabendo em seguida que o seu sogro não era rico coisa alguma, pelo contrário, estava era falido e moça não tinha herança nenhuma. Este caso ficou conhecido na região como o caso do garimpeiro que trocou ouro puro por “ouro de tolo”.

NOTA:
Ouro de tolo é um mineral chamado pirita, que parece com o ouro em pepita. Consta que na Califórnia e no Alasca, naquelas corridas do ouro do século XIX pessoas "semeavam" pirita em um terreno para vendê-lo a bom preço aos tolos para mineração do ouro que não existia. Quem comprava, ficava no prejuízo.

Tolo é um adjetivo que se refere àquele indivíduo que diz ou faz tolice, ou seja, que pratica asneira, que não tem inteligência ou juízo.

O adjetivo “tolo” é usado também para expressar que algo ou alguém não apresenta nexo, que é ridículo, infundado, disparatado, que não tem razão de ser. Exemplos: Discurso tolo, argumento tolo, frase tola ou obrigação tola. Tolo é ainda aquele que age com ingenuidade, que é tonto, simplório, que tem comportamento de idiota ou imbecil.

O adjetivo “tolo” tem diversos sinônimos e muitos deles são gírias da linguagem popular brasileira, usados muitas vezes como substantivo, de forma depreciativa: apatetado, babaca, bocó, paca, abestado, cabeça de bagre, papa mosca, mama na égua, mané, leso, abobado, palerma, paspalhão, débil etc.

É considerado "tolo" aquele indivíduo que expressa vaidade exagerada, que é presunçoso, orgulhoso ou afetado.

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