ELEIÇÕES
NO BRASIL:
LEILÃO OU FEIRA?
Estamos em 2018 e neste ano teremos eleições para Presidente da
República, Governadores, Senadores e deputados. Dentre os aspectos que
analisaremos em relação às eleições, começaremos com a prática nefasta e arraigada
da compra e venda de votos.
A aquisição ilícita de pleito, popularmente conhecida como compra de
votos é uma prática eleitoral dolosa e ilícita, não necessariamente
explícita, de adquirir votos em troca de bem ou vantagem de qualquer
natureza, inclusive empregos, funções públicas, presentes e influências
políticas. Esta é uma prática condenável dentro da política brasileira, muito
embora haja relatos de sua aceitação desde o período da República Velha.
Durante o coronelismo sua prática era conhecida como "voto de
cabresto" e era absolutamente frequente. A população era controlada sob
fiscalização e ameaças. Ofereciam a eles moradia, trabalho, troca de favores
e até mesmo dinheiro como forma de pagamento. Para aqueles que não cumpriam o
combinado, lhes restava a violência.
Capangas enviados pelos coronéis iam até os locais de votação (currais
eleitorais), com objetivo de intimidar os eleitores e ganhar votos. Isso se
tornava possível devido ao voto aberto, onde na época era a única forma de votação
existente. A escolha de cada individuo era divulgada, o que causava pressão
psicológica sobre os eleitores e fazia com que eles votassem nos candidatos
indicados pelos coronéis.
No início do século XX, não havia urna eletrônica, portanto os votos eram
contabilizados através de pequenos pedaços de papel com o nome de um dos
candidatos concorrentes, que eram depositados por cada eleitor na urna. Uma
vez que a maior parte da população brasileira era analfabeta neste período,
os coronéis tinham em suas mãos um grande poder de manipulação dos votos,
entregando aos eleitores um papel já preenchido (muitas vezes apresentando um
nome de candidato diferente do que o eleitor desejava).
Com o término do voto aberto esse tipo de situação deixou de existir.
O voto fechado deu ao cidadão a garantia da manifestação secreta, eliminando
qualquer tipo de constrangimento, repressão ou interferência externa sobre a
sua escolha presentes e influências políticas. Esta é uma prática condenável
dentro da política brasileira, muito embora haja relatos de sua aceitação
desde o período da República Velha.
Compra de votos nos dias atuais
Nas eleições do nosso país em 2012 foram registrados 1.206 casos de
compra de votos. A predominancia maior foi registrada na cidade de Alagoinha,
no estado do Piauí, visto que é a cidade brasileira com maior índice de
analfabetismo (41,6% dos habitantes não sabem ler e escrever). Em 2009, o
prefeito Clodoaldo Moura (PT) teve seu mandato cassado e foi afastado do
cargo, por capitação ilícita de sufrágio, isto é, compra e venda de votos. Em
Caxingó, outra cidade do Piauí, e a segunda maior do estado no índice de
habitantes iletrados (40,8%), o prefeito Raimundo Nonato Sobrinho (PSDB) e
seu vice Antônio de Pádua Ribeiro dos Santos, também foram afastados de seus
cargos políticos em 2007 por compra de votos por meio de quantias de
dinheiro, alimentação, combustíveis, bens materiais e prestação de serviços.
Compra de votos e população analfabeta: "Isso é um
desmantelo, é uma desgraceira", diz o comerciante Antônio de Sá. "O
povo aqui só vota em deputado e essas coisas por dinheiro." A aposentada
Helena Sobreira concorda com outras palavras. "Nas eleições, eles
compram voto”.
A compra de votos acontece em todas as regiões do Brasil. Foram 1.206
casos só na última eleição (2012). Em Alagoinha do Piauí, porém, esse crime
eleitoral ganha contornos trágicos, afinal, a cidade é a recordista em
analfabetismo... Antônio e Helena fazem parte dos 41,6% dos moradores de lá
que não sabem ler nem escrever. Exemplo disso, o município já teve um
prefeito cassado por captação ilícita de sufrágio, nome técnico para o voto
vendido. A notícia parece até um causo sertanejo: em 2009, Clodoaldo de Moura
(PT) foi afastado e, como vingança levou a chave da prefeitura com ele. A
presidente da Câmara, que ficou como interina, teve que despachar várias
semanas da calçada. “Qualquer agradinho, R$ 30, R$ 40 já ajeita o voto de um
sujeito”, resume Antônio a venda no varejo. O enredo da vida dele se confunde
com a de outros "malucos véios sem nada", como ele define os
iletrados.
A conexão com a baixa escolaridade: Infância na roça, escola distante e descaso das autoridades e da família são o início da história, que se completa com a ineficiência dos programas estatais de ensino para jovens e adultos. Foi assim com o Movimento Brasileiro de Alfabetização - Mobral, promovido pelo regime militar (1964-1985). Foi assim com o Brasil Alfabetizado, lançado durante o governo Lula (2003-2010).
Nesse último, uma fraude colaborou para manter o nível de ensino tão
baixo por lá. Como os educadores receberiam R$ 400 por turma formada, como
havia muita resistência dos idosos analfabetos e como não havia fiscalização,
vários grupos foram formados com pessoas que já eram alfabetizadas. Ou seja,
ensinavam quem não precisava. Nos últimos 50 anos, o percentual de
analfabetos no território nacional caiu de 39,8% para 9%. Em Alagoinha do
Piaui, permaneceu nos mesmos patamares de quando o país era
rural.........Fonte: Google.
O voto é a manifestação mais genuína da vontade humana. Sua declaração
está intimamente relacionada com liberdade, com honestidade, com dignidade,
com confiança, com credibilidade e principalmente com inclusão. Quem declara
precisa estar completamente consciente da motivação e quem o recebe precisa
ser possuidor de total confiança do que declara. O voto enquanto manifestação
coletiva representa uma prática da cidadania inclusiva. É pelo voto que são
executadas todas as vontades e decisões da comunidade em prol dela mesma. É
pelo voto que a democracia se viabiliza. Mas o voto precisa ser livre, sem
preço, sem ônus, sem compromissos futuros por parte de quem o dá. No entanto,
ele uma vez emitido, obriga quem o recebe a todos os ônus da sua execução,
expressa na vontade de quem o dá. Por outro lado, o voto vendido, leva
consigo toda uma gama de negação: a negação da liberdade, da vontade, da
dignidade, e todos os prejuízos coletivos do descompromisso, da
irresponsabilidade, da exclusão, da negação do direito coletivo.
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