terça-feira, 10 de julho de 2018

HISTORIAS DA CRONICA POPULAR

As funerárias que compravam ouro...

O ouro sempre motivou a ganância dos homens e mulheres. Junto as populações mais pobres sempre esteve associado aos sonhos e aos anseios de poder das pessoas. No meio das classes mais abastadas sempre representou símbolo de riqueza, poder e nobreza.

Por isso, por muitos anos e em muitas comunidades, era hábito as pessoas adornarem-se com colares, anéis, brincos e até mesmo envolverem os dentes. Em algumas regiões da América do Sul e Central, sociedades onde as noivas eram responsáveis pela oferta dos “dotes” por ocasião dos noivados, quanto mais ouro as mulheres exibissem no pescoço e nas orelhas e nos dentes, mais chances teriam de se casarem com homens abastados.

A crônica popular registra alguns casos pitorescos da importância desse metal, como o caso das funerárias que compravam ouro. Em algumas regiões era costume os parentes dos mortos autorizarem os proprietários das funerárias extraírem o ouro que os mortos tinham nos dentes e negociavam com os mesmos.

Neste caso, cada defunto tinha um preço a ser combinado, dependendo da quantidade de ouro que carregava na boca. Havia aqueles mortos que ao invés de ouro tinham prata, e aí o valor era menor. Mas todos tinham algum valor. As funerárias faziam concorrência para cuidar dos enterros das pessoas muito mais pela quantidade de ouro que elas carregavam nas bocas.

E no caso dos maridos, estes ganhavam duas vezes: primeiro quando casavam, recebiam os dotes e depois quando acontecia de a mulher morrer primeiro, negociavam com os donos das funerárias o ouro que as esposas tinham nas respectivas bocas. Já as esposas lucravam menos, pois só ganhavam dinheiro com a venda do metal por ocasião do falecimento dos mesmos. O fato é que esses defuntos eram verdadeiras “minas”.

A morte de alguém em vez de ser motivo de tristeza, era de alegria, pois distribuía lucro à família, as funerárias e acabava funcionando como fator de aquecimento da economia local. Sem contar que quando morria um marido de “boca rica” deixando a esposa “buiada”, chovia de pretendentes para a nova viúva, pois a mesma ficava em condições de oferecer um bom dote ao cavalheiro felizardo. E esse fato movimentava a vida social da localidade. Todos os homens solteiros se candidatavam para casar com a mais nova viúva dourada do pedaço.

NOTA:
O ouro é encontrado em quase todas as regiões da terra, sob as mais diversas condições de ocorrência. No Brasil, durante muito tempo, os depósitos mais importantes estiveram ao longo da serra do Espinhaço, em Minas Gerais, e a mina de Ouro Velho, nas proximidades de Belo Horizonte é uma das mais profundas do mundo. Entretanto, na segunda metade do século XX, a principal área de extração passou a ser a Amazônia, com destaque para os seguintes garimpos: Serra Pelada, rio Tapajós, rio Amaná, rio Parauari e rio Madeira.


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