Essa história é do imaginário popular mas serve
para ilustrar bem a alma desse povo tão falsificador que é o nosso povo
brasileiro. Dizem que lá pras bandas de Barra das Onças, num importante estado
do Nordeste, tinha um sujeito que fabricava e vendia caixão de defunto.
Todos os moradores que morriam por alí acorriam a
este sujeito para providenciar um caixão. Pois o sujeito bolou um plano para
enterrar todos os mortos da região com um só caixão. O truque era o seguinte:
O defunto era colocado no caixão que sempre era do
mesmo modelo e levado ao cemitério. Ali chegando, havia um momento de
preparação do caixão para descer à sepultura. Neste momento, com a ajuda de um
coveiro muito hábil, eram retirados os pregos da tábua do fundo do caixão e
eram colocadas as cordas para apoiar a descida do mesmo.
Pois bem, o caixão era descido à cova com todo
cuidado possível e acompanhado de todas as proclamas e encomendações da família
do morto. Em seguida era jogada a terra e coberto o caixão. Pronto, estava
enterrado o dito morto e guardado debaixo de sete palmos de terra para que
nunca mais botasse a cara de fora.
Assim que os parentes saiam, o elemento feitor do
caixão juntamente com o coveiro, tiravam as cordas e também a areia de cima do
caixão e puxavam o mesmo pelas laterais onde já tinham sido colocadas uns pegadores
de propósito.
Quando puxavam as laterais e a cabeceira, estas
vinham inteiras ficando no fundo da cova somente a madeira de baixo. Pronto, lá
ficava o desinfeliz deitado somente na tábua do fundo do seu caixão que tinha lhe
custado as últimas economias.
E assim, lá ia o dono da funerária de volta com as tábuas do seu caixão único
e ao chegar na marcenaria, colocava novamente um fundo falso no mesmo e o
vendia novamente para o próximo defunto que lhe aparecesse. E assim, todos os
defuntos daquela pacata e feliz comunidade tinham direito a um caixão decente
para descer à sua última morada com dignidade.
Nota:
O origem do caixão e dos ritos funerários vem do
medo ancestral que o espírito do falecido retornasse ao local onde transcorreu
a sua vida . Por esse motivo, o homem primitivo tinha especial cuidado em como
se depositava o cadáver no seu túmulo. Qualquer erro no desenvolvimento das
pompas fúnebres poderia perturbar a paz dos vivos.
Um dos tipos de
enterro mais antigo de que se tem conhecimento, data de há mais de 6.000 anos.
Nessa época, os sumérios preparavam e
amortajavam seus mortos introduzindo-os em uma espécie de grande cesto ou cesto
feito de junco trançado.
Na túmulos egípcios se fazia introduzindo o defunto
em enormes caixões de pedra polida
coberta de hieróglifos que contavam a vida do ocupante, ou em estojos
fabricados em madeira pintada, em forma de ser humano.
Os caldeus, na Mesopotâmia entre os rios Tigre e Eufrates, enterravam seus mortos
dentro de algumas urnas de barro. Eram como uma espécie de enormes caixões em
forma de canecas abertas.
Quanto ao origem da palavra caixão, é uma palavra de origem
árabe, de tabut + artigo a = caixa ou túmulo. Em contrapartida, os judeus
espanhóis chamavam tabut. No idioma
catalão é um termo ainda mais antigo, o que em castelhano, já que, em um
documento do ano de 1082, proveniente do Município de Sant Cugat (San Cucufato)
pode ser lido como um cidadão deixa em herança a outro um taüt.
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