HISTORIAS
DA CRONICA POPULAR
Por:
Professor Chagas
As funerárias que compravam ouro
O ouro sempre motivou a ganância
dos homens e mulheres. Junto as populações mais pobres sempre esteve associado
aos sonhos e aos anseios de poder das pessoas. No meio das classes mais
abastadas sempre representou símbolo de riqueza, poder e nobreza.
Por isso, por muitos anos e em
muitas comunidades, era hábito as pessoas adornarem-se com colares, anéis,
brincos e até mesmo envolverem os dentes. Em algumas regiões da América do Sul
e Central, sociedades onde as noivas eram responsáveis pela oferta dos “dotes”
por ocasião dos noivados, quanto mais ouro as mulheres exibissem no pescoço e
nas orelhas e nos dentes, mais chances teriam de se casarem com homens abastados.
A crônica popular registra
alguns casos pitorescos da importância desse metal, como o caso das funerárias
que compravam ouro. Em algumas regiões era costume os parentes dos mortos
autorizarem os proprietários das funerárias extraírem o ouro que os mortos
tinham nos dentes e negociavam com os mesmos.
Neste caso, cada defunto tinha
um preço a ser combinado, dependendo da quantidade de ouro que carregava na
boca. Havia aqueles mortos que ao invés de ouro tinham prata, e aí o valor era
menor. Mas todos tinham algum valor. As funerárias faziam concorrência para
cuidar dos enterros das pessoas muito mais pela quantidade de ouro que elas
carregavam nas bocas.
E no caso dos maridos, estes ganhavam
duas vezes: primeiro quando casavam, recebiam os dotes e depois quando acontecia
de a mulher morrer primeiro, negociavam com os donos das funerárias o ouro que
as esposas tinham nas respectivas bocas. Já as esposas lucravam menos, pois só
ganhavam dinheiro com a venda do metal por ocasião do falecimento dos mesmos. O
fato é que esses defuntos eram verdadeiras “minas”.
A morte de alguém em vez de
ser motivo de tristeza, era de alegria, pois distribuía lucro à família, as
funerárias e acabava funcionando como fator de aquecimento da economia local. Sem
contar que quando morria um marido de “boca rica” deixando a esposa “buiada”,
chovia de pretendentes para a nova viúva, pois a mesma ficava em condições de
oferecer um bom dote ao cavalheiro felizardo. E esse fato movimentava a vida
social da localidade. Todos os homens solteiros se candidatavam para casar com
a mais nova viúva dourada do pedaço.
NOTA:
O ouro é encontrado em quase todas as
regiões da terra, sob as mais diversas condições de ocorrência. No Brasil,
durante muito tempo, os depósitos mais importantes estiveram ao longo da serra
do Espinhaço, em Minas Gerais, e a mina de Ouro Velho, nas proximidades de Belo
Horizonte é uma das mais profundas do mundo. Entretanto, na segunda metade do
século XX, a principal área de extração passou a ser a Amazônia, com destaque
para os seguintes garimpos: Serra Pelada, rio Tapajós, rio Amaná, rio Parauari
e rio Madeira.
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