Todo mundo
no Brasil sabe que a compra de votos,
ou a prática de adquirir votos em troca de bem ou vantagem de
qualquer natureza, inclusive empregos, funções públicas, presentes e
influências políticas é uma prática eleitoral ilícita. Mas ao longo dos
tempos, desde a chegada da familia real em nosso território essa prática se
repete.
Na cronica
popular circulam muitas histórias engraçadas de direcioanmento de votação,
transferencia de eleitores, contagem de votos de mortos, candidatos homônimos,
candidatos eleitos com a fotografia de outro e é claro, compra de votos.
Tem uma
história dessas bem conhecida na
localidade de Cipó de Dentro, no Estado do Amazonas, na confluência de dois
rios que separam o território brasileiro do território peruano. Ocorre ali uma
coincidencia geográfica. A margem de um rio pertence ao Peru e a margem do
outro pertence para o Brasil. Só que as duas localidades tem o mesmo nome com
uma unica diferença: a cidadezinha brasileira é Cipó de Dentro e a peruana é
Cipó de Fora.
Muitos
brasileiros residem no municipio peruano e muitos eleitores peruanos residem no
municipio brasileiro. Quando acontecem as eleições brasileiras os dois
municipios viram em uma festa só. Em uma eleição para Prefeito e vereador os
candidatos do lado brasileiro se desdobram para transferir os títulos
eleitorais dos brasileros que residem em Cipó de Fora.
No inicio
deste século ocorreu um fato curioso: um Prefeito eleito do lado brasileiro foi
cassado por alguma irregularidade. Correram os trâmites eleitorais legais para
a sucessão, mas o vice também não pode assumir pois igualmente tinha problemas
com a Justiça Eleitoral. Chamaram o presidente da Camara que também não pode
assumir por algum probleminha. A justiça então marcou novas eleições. E deu-se
início à campanha para eleger o substituto.
Os candidatos muitos correram para
transferir alguns votos que estavam em Cipó de Fora. Um certo
candidato teve a ideia de oferecer vantagens para os eleitores votarem nele.
Tanto ofereceu que transferiu até títulos de eleitores do lado peruano.
O
resultado foi que no dia das eleições muitos eleitores peruanos atravessaram o
rio para votar naquele candidato. Feita a contagem dos votos, constatou-se que
os eleitores do lado de lá tinham sido todos transferidos para o lado de cá e o
candidato esperto tinha sido eleito com o dobro dos votos do municipio de Cipó
de Dentro.
A eleição
foi cancelada e a história se espalhou como mais um caso de esperteza eleitoral
que não deu certo...
Os moradores
de Cipó de Dentro transformaram esse acontecimento em uma brincadeira onde
diziam que quem procura cipó fora de sua casa se dá mal. E outros ainda diziam:
É melhor se contentar com o cipó de casa...
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