O período das eleições no brasil, para quem observa
de fora mais parece uma feira de ciganos. É um tal de troca-troca que dá gosto.
De um lado os eleitores, que nestas ocasiões são paparicados e agradados de
todos os jeitos. Se o sujeito tem uma família grande então, o assédio ao
patriarca é uma coisa muito especial. Se o sujeito é um pastor ou líder de uma
comunidade religiosa, é procurado com toda a deferência. Se o sujeito é uma
liderança política então, o tratamento é muito especial. Essa prática é corriqueira em quase todas as pequenas comunidades (distritos
e vilas), principalmente nas localidades mais pobres.
Em épocas de eleições, essas comunidades já se acostumaram com a grande
romaria de candidatos que visitam as mesmas para oferecer as mais diferentes
propostas em troca de promessas de votos. São candidatos médicos que oferecem
os seus serviços de consultas, exames, e até laqueamento de mulheres para não
terem mais filhos; são candidatos advogados que oferecem assessoria para as
mais diversas causas; são candidatos dentistas que já chegam com as cadeiras e
os seus alicates para “arrancar dentes” das pessoas; e tem também os candidatos
que já chegam com os maços de dinheiro para contratar os agentes profissionais
da intermediação política, as intituladas “lideranças” locais. Votos são
trocados por dentadura, óculos, caixa d”agua, telha, tijolos, cimento, roupa,
caixão de defunto, passagens, uniformes para times de futebol, panelas de
pressão, rádios de pilha, etc.
Na cronica popular
circulam muitas histórias engraçadas de negociação de votos, transferencia de
eleitores, pagamentos antecipados com metade de cédula, panela de pressão sem a
tampa, sandálias de um pé só, óculos de uma só banda, e outras tantas situações.
Essa história aconteceu em uma
comunidade do nordeste, no estado do ceará. Por ocasião de uma eleição para
deputado estadual e federal, apareceram por lá muitos candidatos pedindo os
votos da população. Uma liderança local se apresentava como intermediário dos
votos dos eleitores locais.
De cada candidato
tentava arrancar dinheiro prometendo reverter todos os votos da população. Até
que apareceram dois candidatos, sendo um para deputado estadual e outro para
deputado federal. O intermediário fez a seguinte negociação com os dois.
Informando que a população tinha uma grande incidencia de dentes estragados,
negociou com cada candidato que cada um se responsabilizasse por arrancar os
dentes da população votante.
O candidato a deputado
estadual ficou responsavel por arrancar os dentes superiores dos eleitores e o
candidato a deputado federal ficou responsavel pela extração dos dentes da
parte inferior. Ambos se comprometeram a colocar as respectivas dentaduras logo
após as eleições. A única condição era que os eleitores votassem neles. Assim
foi feito. Trouxeram um dentista que fez o serviço. A população toda se
arrigentou e todos se livraram dos seus “cacos” de dentes. Todos felizes com a
promessa de que logo após a eleição estariam recebendo dentaduras novinhas. Por
outro lado, o espertalhão que fez a negociação, pegou uma boa grana de cada um
dos dois candidatos e se mandou da comunidade.
Aconteceu a eleição e a
apuração dos votos trouxe a derrota para os dois candidatos. Revoltados, estes
não mais retornaram àquela comunidade para cumprir com o prometido. A população
por sua vez, ficou esperando com suas bocas vazias de dentes. Dizem que todos
os eleitores que foram enganados ficavam todos os dias olhando para a estrada à
espera de que aqueles dois candidatos chegassem para trazer suas dentaduras.
Todos passaram a se
alimentar de mingaus, caldos e sopas e contavam a todas as pessoas que nas
proximas eleições não deixariam ser enganados.
Resultado: após as eleições
seguintes demonstraram que não aprenderam nada, pois todos apareceram usando
uma banda de óculos e um pé de sandália, além das bocas murchas. Moral da história: Esse tipo de eleitor além
de mau caráter é burro e é o único culpado pela existencia dos péssimos
políticos que são eleitos.
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