terça-feira, 10 de julho de 2018

Eleições no Brasil

Esperteza causa perda de dentes

O período das eleições no brasil, para quem observa de fora mais parece uma feira de ciganos. É um tal de troca-troca que dá gosto. De um lado os eleitores, que nestas ocasiões são paparicados e agradados de todos os jeitos. Se o sujeito tem uma família grande então, o assédio ao patriarca é uma coisa muito especial. Se o sujeito é um pastor ou líder de uma comunidade religiosa, é procurado com toda a deferência. Se o sujeito é uma liderança política então, o tratamento é muito especial. Essa prática é corriqueira em quase todas as pequenas comunidades (distritos e vilas), principalmente nas localidades mais pobres.

Em épocas de eleições, essas comunidades já se acostumaram com a grande romaria de candidatos que visitam as mesmas para oferecer as mais diferentes propostas em troca de promessas de votos. São candidatos médicos que oferecem os seus serviços de consultas, exames, e até laqueamento de mulheres para não terem mais filhos; são candidatos advogados que oferecem assessoria para as mais diversas causas; são candidatos dentistas que já chegam com as cadeiras e os seus alicates para “arrancar dentes” das pessoas; e tem também os candidatos que já chegam com os maços de dinheiro para contratar os agentes profissionais da intermediação política, as intituladas “lideranças” locais. Votos são trocados por dentadura, óculos, caixa d”agua, telha, tijolos, cimento, roupa, caixão de defunto, passagens, uniformes para times de futebol, panelas de pressão, rádios de pilha, etc.

Na cronica popular circulam muitas histórias engraçadas de negociação de votos, transferencia de eleitores, pagamentos antecipados com metade de cédula, panela de pressão sem a tampa, sandálias de um pé só, óculos de uma só banda, e outras tantas situações.

Essa história aconteceu em uma comunidade do nordeste, no estado do ceará. Por ocasião de uma eleição para deputado estadual e federal, apareceram por lá muitos candidatos pedindo os votos da população. Uma liderança local se apresentava como intermediário dos votos dos eleitores locais.

De cada candidato tentava arrancar dinheiro prometendo reverter todos os votos da população. Até que apareceram dois candidatos, sendo um para deputado estadual e outro para deputado federal. O intermediário fez a seguinte negociação com os dois. Informando que a população tinha uma grande incidencia de dentes estragados, negociou com cada candidato que cada um se responsabilizasse por arrancar os dentes da população votante.

O candidato a deputado estadual ficou responsavel por arrancar os dentes superiores dos eleitores e o candidato a deputado federal ficou responsavel pela extração dos dentes da parte inferior. Ambos se comprometeram a colocar as respectivas dentaduras logo após as eleições. A única condição era que os eleitores votassem neles. Assim foi feito. Trouxeram um dentista que fez o serviço. A população toda se arrigentou e todos se livraram dos seus “cacos” de dentes. Todos felizes com a promessa de que logo após a eleição estariam recebendo dentaduras novinhas. Por outro lado, o espertalhão que fez a negociação, pegou uma boa grana de cada um dos dois candidatos e se mandou da comunidade.

Aconteceu a eleição e a apuração dos votos trouxe a derrota para os dois candidatos. Revoltados, estes não mais retornaram àquela comunidade para cumprir com o prometido. A população por sua vez, ficou esperando com suas bocas vazias de dentes. Dizem que todos os eleitores que foram enganados ficavam todos os dias olhando para a estrada à espera de que aqueles dois candidatos chegassem para trazer suas dentaduras.

Todos passaram a se alimentar de mingaus, caldos e sopas e contavam a todas as pessoas que nas proximas eleições não deixariam ser enganados.

Resultado: após as eleições seguintes demonstraram que não aprenderam nada, pois todos apareceram usando uma banda de óculos e um pé de sandália, além das bocas murchas.  Moral da história: Esse tipo de eleitor além de mau caráter é burro e é o único culpado pela existencia dos péssimos políticos que são eleitos.

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