quinta-feira, 27 de setembro de 2018

A Funerária que só tinha um caixão


HISTORIAS DA CRONICA POPULAR
Por: Professor Chagas

A Funerária que só tinha um caixão

Essa história é do imaginário popular mas serve para ilustrar bem a alma desse povo tão falsificador que é o nosso povo brasileiro. Dizem que lá pras bandas de Barra das Onças, num importante estado do Nordeste, tinha um sujeito que fabricava e vendia caixão de defunto.

Todos os moradores que morriam por alí acorriam a este sujeito para providenciar um caixão. Pois o sujeito bolou um plano para enterrar todos os mortos da região com um só caixão. O truque era o seguinte:

O defunto era colocado no caixão que sempre era do mesmo modelo e levado ao cemitério. Ali chegando, havia um momento de preparação do caixão para descer à sepultura. Neste momento, com a ajuda de um coveiro muito hábil, eram retirados os pregos da tábua do fundo do caixão e eram colocadas as cordas para apoiar a descida do mesmo.

Pois bem, o caixão era descido à cova com todo cuidado possível e acompanhado de todas as proclamas e encomendações da família do morto. Em seguida era jogada a terra e coberto o caixão. Pronto, estava enterrado o dito morto e guardado debaixo de sete palmos de terra para que nunca mais botasse a cara de fora.

Assim que os parentes saiam, o elemento feitor do caixão juntamente com o coveiro, tiravam as cordas e também a areia de cima do caixão e puxavam o mesmo pelas laterais onde já tinham sido colocadas uns pegadores de propósito.

Quando puxavam as laterais e a cabeceira, estas vinham inteiras ficando no fundo da cova somente a madeira de baixo. Pronto, lá ficava o desinfeliz deitado somente na tábua do fundo do seu caixão que tinha lhe custado as últimas economias.

E assim, lá ia o dono da funerária de volta com as tábuas do seu caixão único e ao chegar na marcenaria, colocava novamente um fundo falso no mesmo e o vendia novamente para o próximo defunto que lhe aparecesse. E assim, todos os defuntos daquela pacata e feliz comunidade tinham direito a um caixão decente para descer à sua última morada com dignidade.

Nota:

origem do caixão e dos ritos funerários vem do medo ancestral que o espírito do falecido retornasse ao local onde transcorreu a sua vida . Por esse motivo, o homem primitivo tinha especial cuidado em como se depositava o cadáver no seu túmulo. Qualquer erro no desenvolvimento das pompas fúnebres poderia perturbar a paz dos vivos.

Um dos tipos de enterro mais antigo de que se tem conhecimento, data de há mais de 6.000 anos. Nessa época, os sumérios preparavam e amortajavam seus mortos introduzindo-os em uma espécie de grande cesto ou cesto feito de junco trançado.

Na túmulos egípcios se fazia introduzindo o defunto em enormes caixões de pedra polida coberta de hieróglifos que contavam a vida do ocupante, ou em estojos fabricados em madeira pintada, em forma de ser humano.

Os caldeus, na Mesopotâmia entre os rios Tigre e Eufrates, enterravam seus mortos dentro de algumas urnas de barro. Eram como uma espécie de enormes caixões em forma de canecas abertas.

Quanto ao origem da palavra caixão, é uma palavra de origem árabe, de tabut + artigo = caixa ou túmulo. Em contrapartida, os judeus espanhóis chamavam tabut. No idioma catalão é um termo ainda mais antigo, o que em castelhano, já que, em um documento do ano de 1082, proveniente do Município de Sant Cugat (San Cucufato) pode ser lido como um cidadão deixa em herança a outro um taüt.

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